julho 29, 2019 por Sean Wargo
Live Performance Web | AVIXA

Vivemos na "Economia da Experiência" - assim dizem os adivinhos das tendências. Em outras palavras, isso significa que os consumidores estão comprando experiências holísticas, em vez de apenas transações isoladas. Ou, em vez de apenas comprar um hambúrguer, eles querem também não apenas as batatas fritas, mas a refeição completa e tudo o que a envolve, incluindo a experiência social de falar sobre isso depois.

Para um setor baseado na criação de uma proposta de valor atraente, como o AV profissional, isso representa dinheiro no banco. A disposição dos consumidores de gastar até obter uma experiência total mais envolvente, seja em uma loja, em um show ou em qualquer outro local, sugere maior potencial de receita para os negócios. Em teoria, isso, por sua vez, aumenta o escopo e o orçamento dos projetos de melhoria, à medida que os tomadores de decisão buscam garantir uma experiência excepcional. Com isso, os integradores se beneficiam quando essas empresas recorrem a especialistas para alinhar a melhor tecnologia com essas necessidades. A questão é: isso realmente acontece? Segundo uma pesquisa recente da AVIXA, a resposta é uma combinação de fatores.

A AVIXA recentemente voltou seu foco de pesquisa para o setor de apresentações ao vivo, publicando outro volume em sua crescente série de Relatórios de Análise de Oportunidades de Mercado (Market Opportunity Analysis Reports - MOAR). As apresentações ao vivo são uma parte do amplo mercado de eventos ao vivo e geralmente representam instalações temporárias de hardware de AV para turnês de shows em diversos espaços de eventos. Assim, os serviços de locação e suporte são aspectos comuns das soluções de provedores de AV para o espaço.

Dados os objetivos da experiência das apresentações, pode-se esperar que os produtores de shows estejam investindo volumes maiores nos vários componentes de um espetáculo, um dos quais é o AV, em todas as suas formas. Áudio, iluminação, vídeo, palcos, efeitos ambientais, resposta do público e até AR/VR podem desempenhar um papel. Assim, o objetivo da pesquisa da AVIXA era determinar como as apresentações estão se saindo como negócio e o que isso significa para os fornecedores que as atendem. Aqui está um pouco do que foi aprendido: 

  • Para os iniciantes, as apresentações ao vivo estão se saindo muito bem, e a economia da experiência parece estar em pleno vigor. Os dados de vendas de ingressos da Pollstar e de outras fontes sugerem que shows e peças de teatro ao vivo geram mais de US$ 10 bilhões a cada ano nos EUA. Além disso, os preços médios dos ingressos estão aumentando conforme os consumidores estão cada vez mais dispostos a gastar mais para assistir a um show.
  • No entanto, as previsões da AVIXA apontam que os eventos ao vivo como uma área de soluções de AV, da qual as apresentações fazem parte, diminuirão de US$ 10,2 bilhões em 2018 para US$ 8,6 bilhões em 2023 nas Américas. O que está acontecendo aqui é uma mudança fundamental no investimento em instalações de entretenimento, com mais expectativa de investimento pelos produtores de eventos ao vivo em soluções integradas mais permanentes do que as temporárias. Esta conclusão também é suportada por dados dos próprios produtores.
  • De acordo com as pesquisas da comunidade de produtores, muitos dos recursos necessários para o gerenciamento e uso da tecnologia existem internamente. Além disso, o nível de investimento em hardware próprio (em vez de alugado) está aumentando. A questão dos recursos chega até às fases intermediárias e posteriores da produção de espetáculos, nas quais o AV é instalado e operado - etapas onde a terceirização costuma ocorrer. Porém, diferentemente da produção tradicional, a boa notícia para os fornecedores de soluções AV é que geralmente eles estão mais envolvidos na etapa inicial da definição do escopo do projeto, com relação às necessidades de hardware de um espetáculo. Esta é uma posição cobiçada por muitos integradores, pois tem impactos claros no escopo e no orçamento dos projetos.

Em última análise, a utilização de recursos internos faz algum sentido do ponto de vista lógico. Se o resultado desejado for uma experiência excepcional, as empresas de produção claramente esperam obter mais exatidão nos resultados. Possuir equipamentos e funcionários pode ser visto como uma maneira de tentar controlar as incógnitas e estar em posição de garantir melhor um show de sucesso. A falha está na natureza mutável da tecnologia e nas complexidades da utilização eficaz, tornando difícil para uma empresa de produção manter o hardware e as habilidades de suporte atualizados. Essa é a força da comunidade de provedores.

No final, são esses pontos fortes, aliados à flexibilidade e ao foco na excelência, que manterão os fornecedores relevantes diante de mais primarização (insourcing). Além disso, a tendência rumo a ser dono dos seus próprios equipamentos não significa que os produtores não estejam buscando soluções, apenas que a natureza dessas soluções está mudando. Os provedores de AV profissional já estão se adaptando. De acordo com entrevistas com a comunidade de provedores, muitos profissionais envolvidos com espaços de apresentações estão usando termos diferentes para se descreverem. Em vez de dizer que são estritamente empresas de eventos ao vivo, com a implicação de que são mais de um modelo de locação, elas se descrevem primeiro como integradores de AV. Embora a classificação seja uma sutileza, também indica o foco da empresa e envia uma mensagem ao mercado sobre as habilidades que elas oferecem. A identificação como um integrador pode passar uma mensagem diferente e talvez bem-vinda a um produtor de apresentações que procura soluções mais permanentes. Independentemente do caso, como continuamos a dizer na AVIXA - a conquista do negócio continua sendo através de uma diversidade de ofertas. Com isso, obtém-se prospecções prósperas e muitos casos de sucesso, independentemente de sua abordagem junto ao mercado ativo de apresentações. Saiba mais sobre MOAR - Apresentações ao Vivo. 

Sobre Sean Wargo

Sean Wargo é diretor sênior de Inteligência de Mercado para a AVIXA. Ele é responsável por ajudar a AVIXA a realizar sua meta estratégica de se tornar a fonte oficial de inteligência de mercado na indústria audiovisual por meio de captura de dados, competência em análises, entrega de informações especializadas e pesquisa de mercado de primeira classe.  Anteriormente, Sean ocupou o cargo de Vice-presidente de Pesquisa na BDS Marketing, LLC, e Diretor de Análise de Indústria na Consumer Electronics Association.